Trust no one

Lembre-se de que você mesmo é o melhor secretário de sua tarefa, o mais eficiente propagandista de seus ideais, a mais clara demonstração de seus princípios, o mais alto padrão do ensino superior que seu espírito abraça e a mensagem viva das elevadas...

Aquela péssima sensação de se sentir estranho em sua própria vida.

Luíza sofria de bronquite, frequentemente tinha suas crises de falta de ar. Certo dia Luíza reclamou que eu demorei a pegar sua bombinha na bolsa enquanto ela estava a ter uma crise das fortes. Luíza não sabia, mas a sua bolsa parecia mais uma caixa velha de coisas antigas das quais ela não se desfazia e não fazia ideia do quanto aquilo poderia a matar. Eu gostava de Luíza. Luíza tinha um sinal na nuca que ela fazia questão de esconder por motivos de “feiura”, como ela costumava dizer. Certo dia Luíza se foi, para não mais voltar. Sinto falta de Luíza, ela me fazia respirar.

Hugo Ramos

Felicidade é viver na sua companhia, felicidade, é estar contigo todo dia.
Felicidade é sentir o cheiro dessa flor. Felicidade, é saber que eu tenho seu amor.

Invejo a todas as pessoas não serem eu. Como de todos os possíveis, esse sempre me pareceu o maior de todos, foi o que mais se constituiu minha ânsia quotidiana, o meu desespero de todas as horas tristes.

Um velhinho sentou-se ao meu lado no ônibus essa semana. Eu estava indo pra faculdade e ele voltando pra casa. Ele me contou toda a sua vida, naquele momento eu já sabia mais sobre ele, do que sobre eu mesma. E então ele se levantou e em voz baixa me disse: Passei a vida inteira esperando por alguém que eu só teria se tivesse corrido atrás, e mais uma vez vou voltar pra casa sem ela, como em todas as outras vezes que entrei nesse ônibus somente para vê-la. E ela está sentada logo ali, no primeiro banco, e também está indo pra casa. Só que alguém correu enquanto eu esperava, e agora, esse alguém espera por ela lá. Não perca seu tempo. É frustrante chegar em casa e perceber que esqueceu a vida num banco de ônibus.

Especulante

a-contra-indicacao:

Que porrada.
O céu cuspiu o seu contorno para fora
e desapareceu.
Sem Julieta, envenenou-se
um Romeu
que trouxe a paz no seu punhal.

Se a vida é trágica ao dançar
em som e fúria, em doce e sal,
por que é preciso ponderar
entre a possibilidade e o não deu,
entre a cordialidade e o desdeu?
Por que futuro ao especular?

Uma vitória louca, uma vitória doente. Não era amor. Aquilo era solidão e loucura, podridão e morte. Não era um caso de amor. Amor não tem nada a ver com isso. Ela era uma parasita. Ela o matou porque era uma parasita. Porque não conseguia viver sozinha. Ela o sugou como um vampiro, até a última gota, para que pudesse exibir ao mundo aquelas flores roxas e amarelas. Aquelas flores imundas. Aquelas flores nojentas. Amor não mata. Não destrói, não é assim. Aquilo era outra coisa. Aquilo é ódio.

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